Fauna de Ilha Grande
CAPÍTULO 03 · 84 ESPÉCIES

Os bichos

Não a lista de tudo o que existe: a lista do que você vai ver, e onde olhar.

COMO LER ESTA LISTA
VOCÊ VAI VER FREQUENTE COM SORTE RARÍSSIMO
DA POUSADA AQUI PERTO — o primeiro se vê parado na pousada; o segundo, na Vila, no cais ou na trilha ao lado.

As marcadas com ◉ Foto tirada aqui são da ilha: de Hans Bustos, guia local, e da casa. As demais são de referência da espécie. Ninguém garante um animal selvagem: isto é o que se vê com frequência, com época e lugar. Não alimente — nem o macaco, nem o gambá, nem a saracura.

Lagartixa-de-parede
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Lagartixa-de-parede

Hemidactylus mabouia
A parede do seu quarto, ao lado da luz do corredor.
À noite, assim que acendem as luzes.

É a melhor companheira de quarto que você vai ter aqui: come os mosquitos que seriam seus.

◉ Foto tirada aqui · Pousada Costa Verde
Morcego-fruteiro
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Morcego-fruteiro

Artibeus lituratus
Cruzando o céu do vilarejo ao anoitecer, sobretudo perto das fruteiras.
Nos primeiros vinte minutos depois do sol se pôr.

Ilha Grande tem 37 espécies de morcegos e em 2025 virou área internacional para sua conservação. Quase todos comem fruta e plantam a mata.

Saracura-três-potes
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Saracura-três-potes

Aramides cajaneus
Andando pelos quintais e beiras de córrego da Vila, sem pressa.
Amanhecer e entardecer, quando canta em dueto com o par.

É a dona do vilarejo: pernas vermelhas, peito canela, e aquele canto de «três-potes, pot-pot-pot» que você vai ouvir todo dia sem saber quem era. Quase todas as primas se escondem na mata; esta escolheu morar entre a gente.

Bem-te-vi
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Bem-te-vi

Pitangus sulphuratus
Qualquer fio, poste ou galho do vilarejo.
O dia todo, e é o primeiro que te acorda.

Grita o próprio nome: «bem-te-vi». Peito amarelo e máscara preta. É o pássaro mais brasileiro que existe.

Urubu-de-cabeça-preta
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Urubu-de-cabeça-preta

Coragyps atratus
Girando sobre o vilarejo e pousado nos telhados e no cais.

Plana horas sem mexer uma asa, subindo nas correntes de ar quente. É o serviço de limpeza da praia.

◉ Foto tirada aqui · Pousada Costa Verde
Biguá
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Biguá

Nannopterum brasilianum
Sobre as pedras do cais, com as asas abertas ao sol.

Abre as asas porque as penas não são impermeáveis: se molha para pesar mais e mergulhar melhor, e depois precisa secar.

Tico-tico
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Tico-tico

Zonotrichia capensis
Saltando pelo chão do quintal e pelas calçadas.

Topetinho cinza riscado e uma coleira laranja na nuca. Canta diferente conforme a região: tem sotaque.

Sanhaço-do-coqueiro
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Sanhaço-do-coqueiro

Thraupis palmarum
Nos coqueiros e em qualquer árvore com fruta madura.

Andam sempre em dupla e costumam dividir o galho com o primo azulado, o sanhaço-cinzento.

Rolinha-roxa
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Rolinha-roxa

Columbina talpacoti
Andando pelo chão, catando entre as mesas.

Cria quase o ano todo: até seis ninhadas. Por isso sempre tem uma no chão.

Sargentinho
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Sargentinho

Abudefduf saxatilis
Qualquer pedra com snorkel: Lagoa Azul, Botinas, a ponta da praia.

É o peixe mais abundante da baía e o mais atrevido: vem olhar na sua máscara.

Cardume de manjuba
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Cardume de manjuba

Sardinella brasiliensis
Do cais do Abraão, olhando a água para baixo.

A mancha escura que se move como um bicho só são milhares. Atrás delas vêm os outros.

Ouriço-do-mar
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Ouriço-do-mar

Echinometra lucunter
Toda pedra submersa da ilha, inclusive as da beira da praia.

É o bicho que mais manda turista para o plantão. Nunca se apoie com a mão numa pedra.

⚠ Sapatilha onde houver rochas. Se cravar um espinho, vá ao plantão.
Fragata / tesourão
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Fragata / tesourão

Fregata magnificens
Altíssima sobre a baía e o cais, com a silhueta em forma de M.

Aqui todo mundo chama de «albatroz» e até há pousadas com esse nome, mas é uma fragata: dois metros e meio de asa, não pode pousar na água sem se afogar, e rouba peixe de outras aves em pleno voo. A história completa, mais abaixo.

Andorinha-azul-e-branca
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Andorinha-azul-e-branca

Pygochelidon cyanoleuca
Voando baixo sobre a água da baía e sobre os fios.
Ao entardecer, quando saem os insetos.

Come em pleno voo, sem parar. Aquele balé sobre a água antes do jantar é o horário de trabalho dela.

Gambá-de-orelha-preta
FREQUENTE DA POUSADA

Gambá-de-orelha-preta

Didelphis aurita
À noite, pelos telhados e lixeiras da Vila.
Depois da meia-noite, quando o vilarejo silencia.

Não é rato nem gambá-fedorento: é um marsupial, parente do canguru, e leva os filhotes numa bolsa. Quando se assusta, se finge de morto.

◉ Foto tirada aqui · Pousada Costa Verde
⚠ Feche o saco de lixo e não deixe comida. Um gambá acostumado acaba mal.
Bugio-ruivo
FREQUENTE DA POUSADA

Bugio-ruivo

Alouatta guariba clamitans
Copas das árvores nas trilhas e na borda do vilarejo. Ouve-se muito antes de ver.
Ao amanhecer e antes da chuva: é quando ruge.

Aquele rugido que parece de bicho enorme sai de um macaco de seis quilos, e se ouve a mais de um quilômetro.

Teiú
FREQUENTE DA POUSADA

Teiú

Salvator merianae
Bordas de trilha e quintais, tomando sol ao meio-dia.
Dias de sol. No inverno quase não sai.

Pode passar de um metro e meio e anda como um dinossauro pequeno, mas é tímido: se você encarar, ele sai.

Borboleta-azul
FREQUENTE DA POUSADA

Borboleta-azul

Morpho helenor
Cruzando o quintal e as trilhas de sombra, com aquele voo que parece que vai cair.
Primavera e começo do verão, em dia de sol.

Aquele azul não é pigmento: as escamas da asa são feito espelhinhos que quebram a luz. Por isso pisca e some conforme o ângulo — e por isso, fechada, é marrom e desaparece.

Sagui
FREQUENTE DA POUSADA

Sagui

Callithrix jacchus / penicillata
Na porta da pousada: chegam pelos fios de alta tensão da frente e descem na jaqueira.
Mais ou menos uma vez por semana, sem dia fixo — mas se vêm na segunda, vêm na terça.

Do tamanho de um esquilo, com tufos nas orelhas e uma cauda enorme que não serve para se pendurar, só para equilibrar. Não é daqui: são duas espécies trazidas de outras regiões do Brasil, e essa história — com os filhotes nas costas — está mais abaixo.

◉ Foto tirada aqui · Pousada Costa Verde
⚠ Não dê comida, por mais que se aproximem. Ficam dependentes, entram nas casas e brigam entre grupos.
Savacu / socó-dorminhoco
FREQUENTE DA POUSADA

Savacu / socó-dorminhoco

Nycticorax nycticorax
Encolhido e parado na beira ou num poste do cais. Parece um pinguim cinza de olhos vermelhos.
Acorda ao entardecer: pesca à noite e dorme de dia.

Chama-se <em>socó-dorminhoco</em> porque passa o dia dormindo em pé, com o bico apoiado no peito. Os olhos vermelhos são de verdade, não é efeito da foto.

Pombão / pomba-asa-branca
FREQUENTE DA POUSADA

Pombão / pomba-asa-branca

Patagioenas picazuro
Árvores altas e telhados do vilarejo; faz ninho nos quintais.

É a pomba grande, cinza-vinho, com a nuca escamada que brilha ao sol. Chegou à Ilha Grande só em 2013: é recém-chegada que já ficou.

Beija-flor-tesoura
FREQUENTE DA POUSADA

Beija-flor-tesoura

Eupetomena macroura
Qualquer flor do quintal, sobretudo as buganvílias.
Primeira hora da manhã.

Bate as asas umas 50 vezes por segundo e o coração passa de mil batidas por minuto. É azul e verde, com a cauda em tesoura.

Beija-flor-preto
FREQUENTE DA POUSADA

Beija-flor-preto

Florisuga fusca
As mesmas flores do tesoura, mas fica mais tempo e manda nos outros.

Todo preto com a cauda branca, e grande para beija-flor: é aquele que parece de «outro tamanho». Canta tão agudo que boa parte do canto fica fora do que o ouvido humano escuta.

Periquito-rico
FREQUENTE DA POUSADA

Periquito-rico

Brotogeris tirica
Em bando barulhento sobre os coqueiros do vilarejo.
Ao entardecer, quando voltam todos juntos para dormir.

Só vive na Mata Atlântica. Você vai ouvir antes de ver: passam em linha reta e gritando.

Boto-cinza
FREQUENTE AQUI PERTO

Boto-cinza

Sotalia guianensis
Nos passeios de barco, e às vezes do cais logo cedo.
O ano todo, mais ao amanhecer e com mar liso.

É o golfinho de baía por excelência. Os pesquisadores reconhecem um a um pela nadadeira, como impressão digital.

Sapo-martelo
FREQUENTE AQUI PERTO

Sapo-martelo

Boana faber
Perto de qualquer poça ou córrego do vilarejo, e às vezes no chuveiro.
As noites de chuva do verão são um escândalo.

Chama-se martelo pelo canto: soa como alguém batendo em metal. O macho constrói uma piscininha de barro para os ovos.

Aranha-de-teia-dourada
FREQUENTE AQUI PERTO

Aranha-de-teia-dourada

Trichonephila clavipes
Na teia, atravessada entre duas árvores na altura do seu rosto na trilha.

A seda é literalmente dourada e brilha ao sol. É mais resistente que aço da mesma espessura; já teceram teias de mais de um metro capazes de segurar um passarinho. A aranha grande é a fêmea: o macho é minúsculo e vive num canto da mesma teia.

◉ Foto tirada aqui · Hans Bustos
Tié-sangue
FREQUENTE AQUI PERTO

Tié-sangue

Ramphocelus bresilius
Arbustos do quintal e bordas de mata. Impossível não ver.

O macho é de um vermelho impossível, quase elétrico, com asas pretas. Só existe na Mata Atlântica: em nenhuma outra floresta do mundo.

Atobá-marrom
FREQUENTE AQUI PERTO

Atobá-marrom

Sula leucogaster
Sobre a baía e pousado nas pedras das ilhas de fora.

Quando vê um peixe, mergulha de vinte metros e entra na água como uma flecha. Vale esperar para ver.

Garça-branca-grande
FREQUENTE AQUI PERTO

Garça-branca-grande

Ardea alba
Na beira e no mangue, imóvel na água rasa.
Na maré baixa, cedo ou no fim da tarde.

Consegue ficar parada dez minutos inteiros e depois cravar o bico em um décimo de segundo.

Quero-quero
FREQUENTE AQUI PERTO

Quero-quero

Vanellus chilensis
Áreas abertas e gramados: o campo de futebol do vilarejo é a casa dele.

É o alarme do bairro: grita antes de todo mundo e mergulha em quem chega perto do ninho. Tem um esporão escondido na asa.

João-de-barro
FREQUENTE AQUI PERTO

João-de-barro

Furnarius rufus
Andando pelo chão do quintal, e o ninho em qualquer poste.

Constrói aquele ninho de barro em forma de forno, com duas câmaras e um corredor curvo para ninguém entrar. Faz em dupla e leva meses.

Anu-preto
FREQUENTE AQUI PERTO

Anu-preto

Crotophaga ani
Em grupo, sobre arbustos e cercas das áreas abertas.

Todo preto, com um bico alto e curvo esquisito. Várias fêmeas põem os ovos num mesmo ninho e criam juntas.

Gaivotão
FREQUENTE AQUI PERTO

Gaivotão

Larus dominicanus
No cais e nas pedras, esperando alguém limpar peixe.

Leva quatro anos para ter o traje branco e preto de adulto; os jovens são marrons e parecem outra espécie.

Tartaruga-verde
FREQUENTE

Tartaruga-verde

Chelonia mydas
Snorkel na Lagoa Azul e nos costões de pedra dos passeios.
O ano todo. Os juvenis moram aqui, não estão de passagem.

A ilha não é área de desova: são adolescentes que ficam anos comendo algas nas pedras.

⚠ Não toque nem persiga: ela precisa subir para respirar tranquila.
Estrela-do-mar
FREQUENTE

Estrela-do-mar

Oreaster reticulatus
Fundos de areia e capim marinho na Lagoa Azul e nas Botinas.

Digere colocando o estômago para fora do corpo, em cima da comida. Depois recolhe.

⚠ Tirar da água para a foto mata ela. Olhe embaixo.
Frade
FREQUENTE

Frade

Pomacanthus paru
Costões de pedra, quase sempre em dupla.

Formam par para a vida e patrulham juntos o mesmo pedaço de pedra. Se vir um, procure o outro.

Budião
FREQUENTE

Budião

Sparisoma frondosum
Pedras com algas, em qualquer parada de snorkel.

Morde a pedra para comer a alga e cospe o resto virado areia. Boa parte da areia branca da ilha passou dentro de um.

Baiacu
FREQUENTE

Baiacu

Sphoeroides spengleri
Águas rasas e arenosas, parado perto do fundo.

Só infla se assustado de verdade, e isso custa caro para ele: não persiga para ver.

Donzela
FREQUENTE

Donzela

Stegastes fuscus
Pedras rasas, sempre no mesmo metro quadrado.

Cultiva o próprio jardim de algas e expulsa quem chegar perto, inclusive você.

Baleia-jubarte
FREQUENTE

Baleia-jubarte

Megaptera novaeangliae
Mar afora. Às vezes se vê o borrifo da costa se o dia está parado.
Tem temporada todos os anos: julho e agosto são o pico, a janela vai de maio a novembro. Se vier nesses meses, pergunte na recepção como está.

Vêm acasalar e parir em águas quentes depois de comer o verão inteiro na Antártida, e passam em frente à ilha no caminho. Na temporada o Instagram se enche de vídeos daqui: é uma das poucas coisas que dá para ver da costa se o dia estiver parado.

Macaco-prego
FREQUENTE

Macaco-prego

Sapajus nigritus
Mata das trilhas, em grupo e fazendo barulho de galhos.

Usa pedras como ferramenta para abrir frutos duros, e aprende olhando os mais velhos: cada grupo tem suas manhas. É um dos dois macacos nativos da ilha, junto com o bugio.

Lacraia
COM SORTE DA POUSADA

Lacraia

Scolopendra viridicornis
Sob folhas, vasos e pedras. À noite entra nas casas atrás de lugar fresco.
À noite, e mais depois da chuva.

Laranja e preta, velocíssima, até 25 cm. A picada dói muito mas não é perigosa para um adulto saudável. Cuida dos ovos abraçando-os até nascerem, coisa rara entre os bichos.

◉ Foto tirada aqui · Hans Bustos
⚠ Sacuda o calçado antes de calçar e não pegue com a mão. Se picar: água fria, e ao plantão se você for alérgico.
Lula
COM SORTE AQUI PERTO

Lula

Doryteuthis pleii
À noite, sob as luzes do cais do Abraão.
Depois de escurecer; a luz atrai primeiro os peixes pequenos e depois eles.

Muda de cor em menos de um segundo. Se ficar vermelho de repente, está incomodado.

Água-viva
COM SORTE AQUI PERTO

Água-viva

Chrysaora lactea
À deriva perto da beira, sobretudo com mar mexido.
Verão, de dezembro a março.

Não tem cérebro nem coração nem sangue, e está assim há uns 500 milhões de anos.

⚠ Se encostar, lave com água do mar. Água doce piora a queimadura.
Caravela-portuguesa
COM SORTE AQUI PERTO

Caravela-portuguesa

Physalia physalis
Encalhada na areia ou boiando: é a roxa com uma vela em cima.
Verão, sobretudo depois de dias de vento de fora.

Não é água-viva nem um animal: é uma colônia de quatro tipos de indivíduos que não vivem separados.

⚠ Queima forte e continua ativa encalhada na areia. Não toque nem com o pé.
Pinguim-de-Magalhães
COM SORTE AQUI PERTO

Pinguim-de-Magalhães

Spheniscus magellanicus
Na areia, quase sempre sozinho e exausto. Pode aparecer em qualquer praia.
Inverno: de junho a setembro, com pico em julho e agosto.

A corrente fria os arrasta desde o sul. Um deles, Dindim, deixou esta ilha famosa — a história está mais abaixo.

◉ Foto tirada aqui · Hans Bustos
⚠ Não toque nem devolva ao mar: ele está descansando. Avise na recepção.
Borboleta-de-vidro
COM SORTE AQUI PERTO

Borboleta-de-vidro

Methona themisto
Sombra úmida do interior da mata, pousada numa folha.

Tem as asas transparentes: dá para ver a folha através delas. Não é que faltem escamas — ela tem, mas com uma nanoestrutura que quase não reflete luz, e por isso some em pleno voo.

◉ Foto tirada aqui · Hans Bustos
Caranguejo-de-água-doce
COM SORTE AQUI PERTO

Caranguejo-de-água-doce

Trichodactylus fluviatilis
Sob as pedras dos córregos e cachoeiras das trilhas.

Vive a vida toda em água doce, longe do mar, e é um dos sinais de que o córrego está limpo: onde a água suja, ele some.

◉ Foto tirada aqui · Hans Bustos
Lontra
COM SORTE AQUI PERTO

Lontra

Lontra longicaudis
Na beira-mar da Vila: aparece de vez em quando, sem aviso. Também nos rios do lado de Dois Rios.
Amanhecer e entardecer, com a água parada.

Nada em água doce e salgada igualmente. Como é quase impossível vê-la, os biólogos a estudam pelo que ela deixa: faz as necessidades sempre na mesma pedra do rio, e ali se conta quantas há e o que comeram.

Martim-pescador-grande
COM SORTE AQUI PERTO

Martim-pescador-grande

Megaceryle torquata
Pousado num barco amarrado ou num galho sobre a água do mangue.
Cedo de manhã, quando a água está parada.

É o maior martim-pescador das Américas. Quando mergulha, entra na água inteiro e sai com o peixe no bico.

Polvo
COM SORTE

Polvo

Octopus vulgaris
Fendas de pedra no snorkel. Tem que procurar: quase nunca aparece sozinho.

Procure o montinho de conchas vazias na entrada de uma fenda: é o lixo dele, e ele está dentro.

Moreia
COM SORTE

Moreia

Gymnothorax funebris
Enfiada num buraco de pedra, com a cabeça de fora.

Abre e fecha a boca o tempo todo: não está ameaçando, é o jeito dela de respirar.

⚠ Nunca enfie a mão num buraco. Morde por reflexo, não por maldade.
Arraia
COM SORTE

Arraia

Hypanus americanus
Enterrada na areia de praias e baixios: só se veem os olhos.
Mais ativa em águas quentes, de dezembro a março.

Nunca ataca: o ferrão é defesa e só usa se você pisar em cima.

⚠ Entre na água arrastando os pés em vez de pisar firme. Assim elas saem sozinhas.
Cavalo-marinho
COM SORTE

Cavalo-marinho

Hippocampus reidi
Águas calmas com capim marinho, do lado de Araçatiba e Saco do Céu.

É o macho que engravida e pare os filhotes. E se agarra com a cauda para não ir com a correnteza.

⚠ Espécie ameaçada: olhe de longe, não toque nem use flash.
Golfinho-pintado
COM SORTE

Golfinho-pintado

Stenella frontalis
Mar mais aberto, nos passeios longos como a Volta à Ilha.

Nasce sem manchas e vai ganhando com os anos: pelas pintas se sabe a idade.

Cutia
COM SORTE

Cutia

Dasyprocta leporina
Bordas de mata nas trilhas, de dia. Sai correndo assim que te ouve.

Enterra sementes para depois e esquece metade. Meia mata foi plantada por uma cutia distraída.

Jararaca-dormideira
COM SORTE

Jararaca-dormideira

Dipsas neuwiedi
Enroscada em galhos baixos e arbustos, também em hortas e quintais.
À noite. De dia dorme enroscada, e daí o nome.

É a grande mal-entendida da ilha: chama-se jararaca-dormideira porque tem os mesmos desenhos da jararaca, mas <strong>não tem veneno nem presas</strong> e come caramujos e lesmas. A maioria das cobras mortas por medo é ela.

⚠ Mesmo sendo inofensiva, não toque: ninguém identifica bem uma cobra num relance. Deixe em paz e siga.
Cobra-d'água
COM SORTE

Cobra-d'água

Helicops carinicaudus
Rios e poços das cachoeiras, nadando na superfície.

É inofensiva e come peixe, mas como todo mundo grita «jararaca!», tem a pior fama da ilha.

Quati
COM SORTE

Quati

Nasua nasua
Trilhas longas, sobretudo a T-14 para Dois Rios. Andam em grupo, de dia.

Curioso a ponto de ser atrevido: se abrir a mochila na frente de um, ele revista. Andam em grupo e com a cauda em pé feito antena, para não se perderem de vista entre as samambaias.

⚠ Não dê comida nem deixe chegar perto da mochila: arranha.
Rãzinha-de-Ilha-Grande
COM SORTE

Rãzinha-de-Ilha-Grande

Hylodes fredi
Pedras molhadas ao lado dos córregos de montanha, nas trilhas.

Não existe em nenhum outro lugar do planeta: é exclusiva desta ilha. Como o barulho da água abafa o canto, ela se comunica acenando com as patas.

Tatu-galinha
COM SORTE

Tatu-galinha

Dasypus novemcinctus
Chão da mata, à noite. Quase sempre denunciam as folhas reviradas, não o bicho.

Sempre pare quadrigêmeos idênticos, do mesmo sexo. É o único mamífero que faz isso.

Caninana
COM SORTE

Caninana

Spilotes pullatus
Trepada em árvores e arbustos, de dia. Preta e amarela, longa e magra.

É das cobras mais registradas da ilha e uma das mais teatrais: quando se sente encurralada infla o pescoço, vibra a cauda nas folhas e se faz de perigosa. <strong>Não tem uma gota de veneno.</strong> Passa dos dois metros e sobe em árvore como poucas.

◉ Foto tirada aqui · Hans Bustos
Cobra-cipó
COM SORTE

Cobra-cipó

Chironius bicarinatus
Entre os galhos da vegetação baixa das trilhas, de dia.

Verde, fininha e comprida: confunde-se com um cipó até se mexer. Há três espécies diferentes na ilha, todas inofensivas e todas comedoras de rãs.

Caranguejeira
COM SORTE

Caranguejeira

Theraphosidae
Na boca da toca, na beira da trilha. À noite sai para caçar.

Enorme e peluda, mas sem veneno perigoso para nós: a defesa dela são pelos urticantes que ela solta da barriga com as patas traseiras e joga no ar. Coçam na pele e nos olhos, e só se você mexer com ela.

◉ Foto tirada aqui · Hans Bustos
⚠ Não toque nem aproxime o rosto para a foto. À distância é inofensiva.
Marimbondo-caçador
COM SORTE

Marimbondo-caçador

Pepsis sp.
No chão da trilha, arrastando uma aranha maior que ela.

Azul metálica com antenas laranja. Procura uma aranha grande, paralisa com uma ferroada de precisão cirúrgica — viva mas imóvel —, arrasta até um buraco, põe um único ovo em cima e fecha. A larva a come por dentro, deixando os órgãos vitais para o fim. Com você ela não se mete.

◉ Foto tirada aqui · Hans Bustos
Tangará-dançarino
COM SORTE

Tangará-dançarino

Chiroxiphia caudata
Sub-bosque de qualquer trilha com mata fechada.
De manhã, e mais ativo na primavera e no verão.

Os machos fazem uma dança coreografada em grupo, revezando no mesmo galho, para conquistar uma única fêmea. Corpo azul e boina vermelha.

Surucuá-variado
COM SORTE

Surucuá-variado

Trogon surrucura
Parado num galho médio da mata. Registrado na trilha do Pico do Papagaio.

Fica tão imóvel que a maioria passa por baixo sem ver. Barriga amarela, dorso cinza, cauda com borda branca.

Araçari-poca
COM SORTE

Araçari-poca

Selenidera maculirostris
Interior da mata, em árvores com fruta.

Este é o tucano de verdade de Ilha Grande: menor que o dos cartões-postais, com o bico manchado. O tucano grande aqui não mora.

Araponga
COM SORTE

Araponga

Procnias nudicollis
Copas altas da mata, nas áreas mais conservadas do parque.

Aquela batida metálica que soa como martelo em bigorna, ouvida a centenas de metros no meio da mata, é um pássaro branco do tamanho de uma pomba. É a voz da Mata Atlântica.

◉ Foto tirada aqui · Hans Bustos
Macuco
COM SORTE

Macuco

Tinamus solitarius
Chão da mata fechada, nas trilhas longas. Ouve-se, não se vê.
Amanhecer e entardecer.

O assobio longo e melancólico dele é um dos sons mais bonitos da mata brasileira, e um dos sinais de que esta mata segue sadia.

Tubarão-lixa
RARÍSSIMO

Tubarão-lixa

Ginglymostoma cirratum
Mergulho com cilindro, dormindo embaixo de uma pedra grande.

É o tubarão mais manso que existe: passa o dia dormindo empilhado com outros e come mariscos do fundo.

Lobo-marinho-subantártico
RARÍSSIMO

Lobo-marinho-subantártico

Arctocephalus tropicalis
Descansando em praias afastadas. O último apareceu na Parnaioca.
Inverno, quando entra a corrente fria: junho a agosto.

Vive a milhares de quilômetros ao sul. Os que chegam aqui são jovens que foram longe demais.

⚠ Está descansando, não encalhado. Não toque nem empurre para a água: avise na recepção.
Orca
RARÍSSIMO

Orca

Orcinus orca
Cruzando a baía mar afora. Passa, não fica.

Há vídeos de turistas e biólogos acompanhando, mas não tem temporada: é pura sorte.

Tubarão-tigre
RARÍSSIMO

Tubarão-tigre

Galeocerdo cuvier
Águas profundas da baía, longe da beira e das praias.

Em 2026 os biólogos contaram pela primeira vez uns cem aqui. Sempre estiveram: nunca houve ataque a banhista na ilha.

Capivara
RARÍSSIMO

Capivara

Hydrochoerus hydrochaeris
Fozes de rios e praias afastadas.

É o maior roedor do mundo e nada no mar: o INEA resgatou uma na Praia dos Meros, aqui na ilha.

Paca
RARÍSSIMO

Paca

Cuniculus paca
Mata fechada perto da água, só à noite.

Pesa como um cachorro médio, nada bem e se joga no rio para escapar. Vê-la é questão de ficar em silêncio com uma lanterna.

Jiboia
RARÍSSIMO

Jiboia

Boa constrictor
Dentro da mata, parada e camuflada. É a que os guias contam como «uma cobra de quatro metros».

A maior cobra da ilha, e <strong>não tem veneno</strong>: mata apertando. É lenta, tranquila e come roedores — o melhor controle de pragas que a mata tem. Vê-la é sorte, não problema.

Jararaca
RARÍSSIMO

Jararaca

Bothrops jararaca
Serrapilheira da mata, em trilhas pouco movimentadas. Está camuflada: quase nunca se vê.

Do veneno dela saiu o primeiro remédio moderno para pressão alta, que hoje milhões de pessoas tomam.

◉ Foto tirada aqui · Hans Bustos
⚠ Calçado fechado e nunca a mão entre pedras ou troncos. Se vir, fique parado e contorne. Em caso de picada: 192, sem torniquete nem cortes.
Cobra-coral
RARÍSSIMO

Cobra-coral

Micrurus corallinus
Sob a serrapilheira e a terra. Vive quase toda a vida enterrada.

O veneno é mais potente que o da jararaca, mas a boca é pequena e o bicho é tão escondido que as picadas são raríssimas.

◉ Foto tirada aqui · Hans Bustos
⚠ Qualquer cobra com anéis coloridos: não toque nem mova. Nem com um pau.
Jacaré-de-papo-amarelo
RARÍSSIMO

Jacaré-de-papo-amarelo

Caiman latirostris
Área alagada da trilha T-12, entre Pouso e o farol. Há placas que avisam.

Os guias contam que vêm dos que soltaram em Dois Rios na época do presídio. Não há documento que prove, mas a placa oficial existe e é o único crocodiliano da ilha.

⚠ Não entre em água parada dessa área, sobretudo ao entardecer.
Onça-parda
RARÍSSIMO

Onça-parda

Puma concolor
Interior do parque, do lado de Dois Rios. Ninguém vê: quem pega são as armadilhas fotográficas.

Os moradores juravam há décadas que existia, sem provas. Em novembro de 2022 uma câmera da universidade filmou pela primeira vez: era verdade, e ele nunca tinha ido embora.

Papagaio-chauá
RARÍSSIMO

Papagaio-chauá

Amazona rhodocorytha
Copas da mata bem conservada, do lado de Dois Rios.
Amanhecer, quando cruzam voando em dupla.

Está em perigo de extinção e quase só vive nesta faixa de costa. Atenção: o Pico do Papagaio não tem esse nome por causa dele, e sim pela forma da rocha.

Urubu-rei
RARÍSSIMO

Urubu-rei

Sarcoramphus papa
Bem alto, sobre o lado selvagem da ilha: Parnaioca, Praia do Sul.

Tem a cabeça pelada e colorida, como pintada à mão. Foi fotografado na ilha pela primeira vez em 2025: ter chegado significa que a mata está melhor do que antes.

Pingüino de Magallanes en la Baía da Ilha Grande
◉ Um pinguim de verdade, nadando aqui na baía. Foto de Hans Bustos.
A HISTÓRIA DA ILHA

Dindim, o pinguim que voltava

Em 2011, João Pereira de Souza, pescador aposentado da Praia de Provetá, aqui na Ilha Grande, achou na areia um pinguim-de-Magalhães coberto de óleo e quase sem forças. Limpou, alimentou com peixe e o chamou de Dindim. O pinguim ficou quase um ano antes de voltar ao mar — e depois voltou a procurá-lo, temporada após temporada, durante anos. Reconhecia sua voz e o seguia pelo quintal.

O que o mundo contou a mais: os jornais disseram que Dindim nadava 8.000 km desde a Patagônia todo ano por lealdade. O biólogo que documentou o caso esclareceu que isso nunca foi dito por eles e que é improvável. O verificado é mais simples e mais bonito: o resgate, e um pinguim selvagem que durante anos escolheu voltar à mesma praia.
Todo inverno aparecem pinguins perdidos nas praias da região. Se vir um: não toque, não devolva ao mar, avise na recepção.
O QUE ACONTECE NA PORTA

Os saguis, e as manchas que se mexiam

Há uns anos começou a passar um casal pelos fios de alta tensão da frente. A fêmea tinha duas manchas nas costas e a gente achou que era sarna, que estava doente. Quase ligamos para o INEA. As manchas continuavam ali semana após semana, e cresciam. Um dia olhamos com o zoom da câmera: elas se mexiam. Eram os filhotes, agarrados nas costas. Depois uma hóspede conseguiu fotografar o melhor de tudo — como os filhotes passam das costas de um para as do outro sem tocar o chão, porque o pai carrega tanto quanto a mãe.

Mas eles não são daqui. Contam na ilha que foram trazidos quando a febre amarela matou os bugios e se achou que não restava nenhum — e que, em vez de trazer bugios, que são abundantes nesta parte do Brasil, trouxeram saguis de outras regiões. A epidemia é real: entre 2016 e 2018 a febre amarela matou milhares de macacos na Mata Atlântica e chegou à Ilha Grande. Os bugios sobreviveram: os pesquisadores voltaram a encontrar grupos vivos. Os saguis também ficaram, e hoje há duas espécies exóticas na ilha.

E aí está o problema, porque o bugio come folhas e o sagui come de tudo — ovos e filhotes inclusive. Onde estudaram com câmeras nos ninhos, os saguis comeram até 80 ou 90 % das ninhadas, e onde eles estão a mata canta menos. Os daqui são mansos e lindos, e não têm culpa de nada. Por isso não se deve dar comida: é o único que podemos fazer para que não sejam mais do que a mata aguenta.

Sagui
Fregata magnificens
O MITO MAIS BEM DEFENDIDO DA ILHA

O caso do albatroz

Pergunte na Vila por aquela ave enorme que plana sobre o cais e vão te dizer albatroz. Há pousadas com esse nome. E os guias têm meia razão: albatroz existe no Rio de Janeiro — em Cabo Frio já contaram quatrocentos juntos — mas são aves de mar aberto que no inverno seguem os barcos pesqueiros onde sobe a água fria. Nossa baía é morna e fechada: eles não entram. Nos dois censos de aves da ilha, com 253 espécies anotadas, não consta um único albatroz.

O que você vê é uma fragata, e ela não te deve nada: dois metros e meio de asa, não pode pousar na água sem se afogar, e vive roubando peixe de outras aves no ar. O nome fica; a história é melhor contada direito.

O único que exige cuidado

Nada disso vai estragar sua viagem: na prática, o que mais machuca gente aqui são os ouriços e o sol.

🌊 Ouriços

O acidente número um da ilha. Estão em todas as pedras. Entre na água de sapatilha onde houver rochas e não se apoie com a mão.

🪼 Águas-vivas e caravela

Sobretudo no verão (dez–mar). A caravela-portuguesa é a roxa com vela: não toque nem na areia, os tentáculos seguem ativos. Se encostar, lave com água do mar, nunca doce.

🐍 Cobras na trilha

Na ilha há 27 espécies de cobras e <strong>só duas são perigosas</strong>: a jararaca e a coral, ambas esquivas e raríssimas de encontrar. Quase tudo o que você vai ver — caninana, cobra-cipó, dormideira, jiboia — não tem veneno. Calçado fechado, olhe onde pisa, não enfie a mão entre troncos ou pedras. Se vir uma, fique parado e contorne: nenhuma ataca se você não pisar nela.

🐒 Não alimentar

Um macaco ou um gambá que aprende a pedir comida acaba entrando nas casas e, cedo ou tarde, mal. Guarde a comida e feche o saco de lixo: é o melhor que você pode fazer por eles.

🦈 Tubarões: a verdade

Em 2026 documentaram-se pela primeira vez cerca de cem tubarões-tigre na baía. Vivem em águas profundas, longe da orla, e em toda a história da ilha não há um único ataque a banhista. Dado de biólogos, não motivo para não entrar no mar.

🐟 Arraias na areia

Enterram-se em fundos de areia e só ferroam se você pisar nelas. O truque de sempre: entre arrastando os pés em vez de pisar firme, e elas saem sozinhas.

Viu algum? Conte pra gente e a gente soma à lista
Créditos das fotos (84)

15 destas fotos foram feitas aqui, na Ilha Grande. São de Hans Bustos, guia local — o mesmo Hans que recomendamos para as trilhas —, e as demais são da casa. Cedidas para este guia; os direitos seguem sendo de cada autor.

Hans Bustos — Trichonephila clavipes · Procnias nudicollis · Methona themisto · Spilotes pullatus · Theraphosidae · Trichodactylus fluviatilis · Micrurus corallinus · Bothrops jararaca · Scolopendra viridicornis · Spheniscus magellanicus · Pepsis sp.
Pousada Costa Verde — Didelphis aurita · Hemidactylus mabouia · Callithrix jacchus / penicillata · Coragyps atratus

As demais são fotos de referência da espécie, do Wikimedia Commons sob licença livre, e não foram feitas em Ilha Grande.

Chrysaora lactea — Rodrigo Canalli, CC BY 4.0
Pygochelidon cyanoleuca — Cláudio Dias Timm from Rio Grande do Sul, CC BY-SA 2.0
Crotophaga ani — Charles J. Sharp, CC BY-SA 4.0
Selenidera maculirostris — Jairmoreirafotografia, CC BY-SA 4.0
Hypanus americanus — Pauline Walsh Jacobson, CC BY 4.0
Sula leucogaster — André Ganzarolli Martins, CC BY 4.0
Sphoeroides spengleri — Andrew David, NOAA/NMFS/SEFSC Panama City; Lance Horn, UNCW/NURC - Phantom II ROV operator., Public domain
Megaptera novaeangliae — Whit Welles Wwelles14, CC BY 3.0
Florisuga fusca — Dario Sanches from São Paulo, Brazil, CC BY-SA 2.0
Eupetomena macroura — Dario Sanches from São Paulo, Brazil, CC BY-SA 2.0
Pitangus sulphuratus — Rhododendrites, CC BY-SA 4.0
Nannopterum brasilianum — Dario Sanches from SÃO PAULO, BRASIL, CC BY-SA 2.0
Morpho helenor — Nosferattus, CC0
Sotalia guianensis — Instituto Boto Cinza, CC BY-SA 2.5
Sparisoma frondosum — Williams, J. T.; Carpenter, K. E.; Van Tassell, J. L.; Hoetjes, P.; Toller, W.; Etnoyer, P.; Smith, M., CC BY 2.5
Alouatta guariba — Peter Schoen, CC BY-SA 2.0
Hydrochoerus hydrochaeris — Wilfredor, CC0
Physalia physalis — Brett Ortler, CC BY 4.0
Hippocampus reidi — Liné1, CC BY-SA 3.0
Chironius bicarinatus — Miguelrangeljr, CC BY-SA 4.0
Helicops carinicaudus — Miranda J, Lopes Costa JC, Duarte da Rocha CF (2012), CC BY 3.0
Dasyprocta leporina — Alastair Rae from London, United Kingdom, CC BY-SA 2.0
Stegastes fuscus — Fernando Herranz Martín, GPL
Dipsas neuwiedi — Mateus S. Figueiredo, CC BY-SA 4.0
Oreaster reticulatus — James St. John, CC BY 2.0
Pomacanthus paru — LASZLO ILYES (laszlo-photo) from Cleveland, Ohio, USA, CC BY 2.0
Fregata magnificens — E. Kirdler, Public domain
Larus dominicanus — Godot13, CC BY-SA 4.0
Ardea alba — Chuck Homler (FocusOnWildlife.Me), CC BY-SA 4.0
Stenella frontalis — NOAA Southeast Fisheries Science Center, Public domain
Hylodes — Raquel Rocha Santos, CC BY-SA 2.5
Caiman latirostris — Miguelrangeljr, CC BY 3.0
Boa constrictor — I would appreciate being notified if you use my work outside Wikimedia. Do not copy this image illegally by ignoring the terms of the license below, as it is not in the public domain. If you would like special permission to use, license, or purchase the image please contact me to negotiate terms. More of my work can be found in my personal gallery., CC BY-SA 4.0
Furnarius rufus — Bernard DUPONT, CC BY-SA 2.0
Arctocephalus tropicalis — Nicolas Servera (otarie_san@yahoo.fr), CC BY-SA 3.0
Lontra longicaudis — © 2006 Carla Antonini, CC BY-SA 2.5 ar
Doryteuthis pleii — Betty Wills, CC BY-SA 4.0
Sapajus nigritus — Diego Persano, CC BY-SA 2.0
Tinamus solitarius — Mauro Regalado Soares, CC BY-SA 4.0
Sardinella brasiliensis — Marcelo Bandeira, CC BY-SA 4.0
Megaceryle torquata — Dario Sanches, CC BY-SA 2.0
Artibeus lituratus — Norman Salazar Arguedas, CC BY-SA 4.0
Gymnothorax funebris — Blueag9, CC BY-SA 3.0
Puma concolor — National Park Service, Public domain
Orcinus orca — Robert Pittman, Public domain
Echinometra lucunter — Hans Hillewaert, CC BY-SA 4.0
Cuniculus paca — Hans Hillewaert, CC BY-SA 3.0
Amazona rhodocorytha — Duncan Rawlinson, CC BY 2.0
Boana faber — Leandro Avelar, CC BY-SA 4.0
Brotogeris tirica — Dario Sanches from SÃO PAULO, BRASIL, CC BY-SA 2.0
Octopus vulgaris — Diego Delso, CC BY-SA 4.0
Patagioenas picazuro — Dariosanches, CC BY-SA 2.0
Nasua nasua — Luna04 at French Wikipedia, CC BY-SA 3.0
Vanellus chilensis — Kingfisher-Sapphire, CC BY-SA 4.0
Columbina talpacoti — dariosanches, CC BY-SA 2.0
Thraupis palmarum — Charles J. Sharp, CC BY-SA 4.0
Aramides cajaneus — Alejandro Bayer Tamayo from Armenia, Colombia, CC BY-SA 2.0
Abudefduf saxatilis — JeffreyGammon, CC BY-SA 4.0
Nycticorax nycticorax — Calibas, CC BY-SA 3.0
Trogon surrucura — Cláudio Dias Timm from Rio Grande do Sul, CC BY-SA 2.0
Chiroxiphia caudata — Dario Sanches from São Paulo, Brazil, CC BY-SA 2.0
Chelonia mydas — Wikimedia Commons, Copyrighted free use
Dasypus novemcinctus — Hans Stieglitz, CC BY-SA 3.0
Salvator merianae — Leonardo Palermo Gentile, CC BY-SA 4.0
Zonotrichia capensis — Charles J. Sharp, CC BY-SA 4.0
Ramphocelus bresilius — Dario Sanches from São Paulo, Brazil, CC BY-SA 2.0
Ginglymostoma cirratum — Wikimedia Commons, Public domain
Galeocerdo cuvier — Albert kok, CC BY-SA 3.0
Sarcoramphus papa — Olaf Oliviero Riemer, CC BY-SA 3.0